Confecção Artesanal de Barricas


O processo de confecção artesanal de barricas - demonstrado pelo senhor João Ribas, no Parque Histórico do Mate, em 28 de junho de 1996 - compreende duas fases:

* preparação das aduelas
* montagem da barrica.

Na preparação das aduelas emprega-se a madeira bruta, de pinho, que será lascada em partes por uma machadinha. Uma vez seccionada a madeira, faz-se seu beneficiamento, ou seja, a preparação das aduelas.

Esse processo é desenvolvido no banco de tanoeiro (uma armação de madeira dotada de mecanismo de fixação das aduelas), servindo-se de instrumentos de corte.

Inicialmente utiliza-se a raspilha reta nas bordas e na parte externa da aduela. A seguir, com a raspilha convexa, trabalha-se a parte interna.

É com esse trabalho das raspilhas que se faz o abaulamento das barricas. À medida que se faz o raspilhamento da parte interna da aduela, o tanoeiro a força continuadamente contra o banco de tanoeiro para sentir a resistência do bojo, ao dobrar a aduela na montagem da barrica. Depois, as aduelas passam na plaina de cavalete onde se dá o acabamento (alisamento) das bordas, para se poder juntar perfeitamente umas às outras. Completa-se a primeira fase do processo.

Passa-se, então, para a segunda fase, isto é, a da montagem da barrica, que tem início com a escolha do jogo de forma de arcos, de acordo com o tamanho da barrica. Esse jogo é um conjunto constituído de 4 a 5 arcos de aço, rígidos, que servirão de medida para a confecção, mais tarde, dos arcos definitivos, de fitas de metal.

Selecionado o jogo de formas, a operação de montagem tem início com a ajuda de um grampo de madeira, que é encaixado no primeiro arco. As aduelas são, a seguir, justapostas uma ao lado da outra dentro dessa forma de arco. O grampo é utilizado como se fosse a primeira aduela, sendo retirado quando a última for colocada.

Em seguida, é colocada a segunda forma de arco, próxima ao bojo. As diferenças entre as aduelas vão sendo acertadas com o auxílio de uma marreta e um batedor de arcos (feito de madeira, para não estragar a forma), que ajudam na fixação das aduelas. O alinhamento das aduelas é obtido batendo-se com a marreta na borda inferior e tocando com os dedos na parte superior.

Os passos seguintes têm por objetivo assegurar o alinhamento perfeito e fechar a outra extremidade. Numa mesa com cabo de arrocho, é passado um cabo de aço em torno das aduelas, que as aperta ao se girar uma alavanca. Um a um, são colocados os restantes dos arcos do jogo de formas.

Para permitir trabalhar as aduelas sem danificá-las, bem como assegurar sua vedação, é preciso amolecer a madeira. Com as sobras da madeira acepilhada é feita pequena fogueira e a barrica é colocada sobre o fogo, sendo girada sem cessar para evitar que queime. Quando o calor for perceptível no lado exterior da barrica, retorna-se a bater os arcos com a marreta e com o batedor de arcos até que estejam fixos.

Com as aduelas fixas, é hora de regularizar as bordas internas da barrica, usando-se o chanfrador (instrumento de corte inclinado). Apoiando-a na mesa com o cabo de arrocho, chanfra-se por primeiro a parte interna e, depois, as bordas. Para alinhar as bordas utiliza-se a plaina de mão ou a raspilha reta, obtendo-se o acabamento. Em seguida, com o frisador, forma-se uma cavidade onde será encaixado o fundo da barrica.

Com o auxílio de um compasso de ferro, determina-se o diâmetro da barrica para se obter o tamanho de seu fundo, que é serrado pela serra de quadra de forma chanfrada, visando o encaixe na cavidade prevista acima. Afrouxa-se o arco final para se colocar o fundo (que é posto de cima para baixo) e aperta-se novamente. Costumava-se fazer um mingau de farinha de milho cozido para reforçar a vedação dos frisos.

A borda do fundo é raspilhada para se colocar o arco definitivo, feito de fita de metal. Com a medida do arco, corta-se a fita de metal na tesoura de bancada. A seguir uma das extremidades é furada com uma ponteira, onde será colocado o rebite.

Com uma marreta de cabeça quadrada, bate-se em toda a extensão de um lado das bordas da fita. Tira-se a medida final do arco na barrica e coloca-se o rebite, que prenderá o arco no encaixe.

O jogo de formas é substituído pelos arcos definitivos, fixando-os com a marreta e com um batedor de ferro.

O acabamento é feito com a raspilha reta. O alisamento final é para que a barrica fique homogênea, pois apenas com a primeira raspilha ela não fica na mesma espessura.

Por último, chanfra-se a borda superior e faz-se o alinhamento com a raspilha de acabamento para se colocar a tampa. Com um pedaço de madeira se faz a trava da tampa e corta-se a tampa reclinada.


Instrumentos Utilizados na Oficina de Barrica
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