Obra cinematográfica de Vladimir Kozák

    Ao longo de 132 anos de existência o Museu Paranaense reuniu um acervo de mais de 300 mil peças, entre objetos tridimensionais, documentos, obras de arte, fotografias e filmes, que registram a história e a cultura paranaense.
    Destaca-se neste acervo a coleção do cineasta e pesquisador Vladimir Kozák formada por filmes, fotografias, desenhos e aquarelas que retratam temas variados como o cotidiano de grupos indígenas brasileiros, manifestações da cultura popular, registros de comunidades e de cidades como Rio de Janeiro, Salvador, Belém, Joinvile, além de temas diversos sobre o Paraná.
    Os registros cinematográficos de Kozák reúnem 36 horas de filmes em 16mm, coloridos e não sonorizados. Destes, 17 horas constituem um registro único sobre o homem e o território paranaense entre as décadas de 1940-1950, os quais constituem uma rica fonte de pesquisas para antropólogos, historiadores, cineastas, geógrafos e biólogos.
    Convidado em 1946 pelo antropólogo e então diretor do Museu Paranaense, José Loureiro Fernandes, Kozák assumiu a coordenação da Seção de Cinema Educativo da instituição. Acompanhando os pesquisadores do Museu Paranaense e da recém criada Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, em viagens pelo Paraná, Kozák passou a registrar essas pesquisas de campo, utilizando filmes cinematográficos coloridos os quais eram comprados e revelados apenas nos Estados Unidos.
    As imagens captadas pelas lentes de Kozák revelam um Paraná em pleno crescimento econômico, cujas atividades estavam relacionadas à exploração da madeira, à pecuária e à agricultura, principalmente o plantio de café. Este modelo econômico ao mesmo tempo que garantiu o desenvolvimento e urbanização de inúmeras cidades, também foi responsável pela destruição da paisagem e das sociedades que viviam de forma tradicional.
    Apesar dos filmes de Kozák não serem sonorizados, as imagens retratam esta realidade. Ao mesmo tempo que revelam as belezas do território como a Serra do Mar, trechos do Litoral, Vila Velha, os rios Paraná e Iguaçu com as Sete Quedas e as Cataratas, mostram também os danos ambientais provocados pelo desenvolvimento acelerado. São marcantes as cenas que retratam a exploração e o transporte de madeiras pelo rio Paraná, o desmatamento das florestas subtropicais do noroeste do estado e o extermínio dos índios Xetá.
    Alguns aspectos interessantes ficam por conta das raras imagens do transporte fluvial de passageiros e da erva-mate nos portos do rio Paraná, o crescimento da cidade de Londrina e o cotidiano nas fazendas de café e de gado.
    Diante deste crescimento acelerado Kozák tinha como preocupação registrar com urgência as tradições da nossa cultura popular como a pesca artesanal em Matinhos, o carnaval de Paranaguá e a Congada da Lapa.
 







Msc. Fernanda Maranhão
Setor de Antropologia
mariafernanda@seec.pr.gov.br
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