ARTISTAS | EXPOSIÇÃO
Alberto Garutti
Foi uma das figuras de referência na cena artística italiana e internacional dos últimos 50 anos. Artista e professor, lecionou de 1990 a 1994 na Academia de Bolonha e, de 1994 a 2013, foi titular da cátedra de Pintura na Academia de Brera, em Milão. Sempre interessado em explorar os espaços e as dinâmicas de relação entre obra, espectador e instituição, transformou as formas de fazer arte pública, redefinindo radicalmente os seus processos de concepção. Suas obras são concebidas como sistemas abertos de relação, formas de encontro entre os cidadãos, os espectadores da arte e a paisagem, sutis leituras críticas do nosso presente.
Erika Verzutti
Trabalhando materiais como o papel machê, bronze, gesso, concreto, tinta acrílica, óleo e cera, a artista brasileira ocupa uma zona de contato entre a pintura e a escultura. Explora formas orgânicas em conjunto com um processo empírico de moldagem manual. As superfícies de suas esculturas são frequentemente rugosas, riscadas, escavadas e recortadas. Sua prática encontra um intercâmbio entre propriedades materiais e carga simbólica, reprocessando tanto a escultura modernista quanto a construção vernacular. A rede de alusão criada pelas esculturas de Verzutti produz um campo de ressonâncias entre as figuras construídas e as referências culturais que seus contornos e silhuetas evocam.
Flora Leite
Artista e pesquisadora paulista, explora diferentes linguagens e suportes para transpor seus questionamentos sobre formas e práticas cotidianas. Os materiais empregados em seus trabalhos, aparentemente simples, revelam uma complexidade reflexiva ao serem deslocados de seus usos habituais.
Francis Alÿs
De origem belga e com formação em Arquitetura, mudou-se para a Cidade do México em 1986, onde continua a viver e trabalhar, e foi o confronto com questões de urbanização e agitação social no seu país de adoção que inspirou a sua decisão de se tornar artista visual. Ao transitar entre uma ampla variedade de mídias, incluindo documentários, pinturas, desenhos, performances, animações bidimensionais e vídeos, seus trabalhos revelam uma profunda sensibilidade poética e imaginativa, permeados por questões antropológicas, geopolíticas e culturais que se entrelaçam com cenas do cotidiano de diferentes lugares do mundo.
Guido van der Werve
Artista e cineasta nascido na Holanda, foi desde criança incentivado a aprimorar habilidades musicais. Mais tarde, desenvolveu seus interesses no campo da performance e das artes audiovisuais. Performance, música, texto, esporte e cenas atmosféricas são elementos recorrentes em suas obras, caracterizadas por longas tomadas meditativas e pela recusa em trabalhar com atores.
Laís Amaral
Natural de São Gonçalo, iniciou sua carreira artística em 2017 por meio do coletivo Trovoa, discutindo questões sociorraciais e de gênero e seu impacto no campo das artes. Autodenomina-se uma “artista-artesã” e desafia as fronteiras entre arte e artesanato. Utiliza ferramentas não convencionais, como instrumentos de manicure e pentes, e questiona as noções tradicionais da abstração ocidental. Suas pinturas funcionam como narrativas visuais e empregam técnicas como camadas e raspagem de tinta preta sobre composições coloridas para revelar histórias ocultas, de forma análoga a uma escavação arqueológica.
Marcelo Conceição
Artista fluminense, autodenomina-se um garimpeiro urbano. Os materiais que compõem suas obras são carretéis, miçangas, botões, fivelas, tampas, rolhas, contas, búzios, cascas de coco, argolas de cortina, sobras de instalações elétricas e uma infinidade de outros apetrechos encontrados pelas ruas do Rio de Janeiro. A aparente leveza das composições contrasta com a densidade das articulações que ora sugerem movimentos brandos e elípticos, ora ameaçam com extremidades pontiagudas e bélicas.
Sheroanawe Hakihiiwe
Artista e xamã Yanomami, residente da comunidade indígena de Pori Pori, localizada em Alto Orinoco, na Venezuela. Seus trabalhos amparam-se na memória oral, na cosmologia e nos saberes ancestrais de seu povo. Desenvolve, por meio do desenho, uma linguagem sintética, concreta e minimalista sobre a vasta e intensa relação de sua comunidade com a paisagem que a rodeia. Essas ligações permeiam o âmbito do pessoal e do coletivo, sendo seu trabalho uma revisão contemporânea da cosmogonia e do imaginário Yanomami.
ARTISTAS | ABERTURA
Aivan
Multiartista pernambucana, transita entre o teatro, a música e a performance. Iniciou sua carreira nas artes na década de 1980 como cantora e, atualmente, integra o MEXA, coletivo artístico criado em 2015 por pessoas LGBTQIA+ no contexto das Casas de Acolhida de São Paulo.
Arto Lindsay
Músico, compositor e produtor estadunidense que reside no Brasil desde a infância. À frente da banda Ambitious Lovers, inovou ao criar um estilo musical que mesclava samba, R&B e experimentalismos. Produziu discos de Caetano Veloso, Gal Costa, David Byrne e Ilê Aiyê, entre muitos outros. Colaborou em projetos desenvolvidos em parceria com artistas plásticos, entre eles, Jean-Michel Basquiat, Matthew Barney, Vito Acconci, Renata Lucas, Tunga e Rivane Neuenschwander. Fomentador do carnaval baiano, tem se dedicado a construir desfiles próprios como forma de performance e instalação ambulante.
CONSULTORES
Déborah Danowski
Filósofa, professora emérita da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, especializada na metafísica moderna. Ao longo das últimas duas décadas, tornou-se uma das maiores estudiosas do colapso climático na área das ciências humanas no Brasil e militante pela causa da Terra. É autora, entre outros trabalhos, de “Há mundo por vir? Ensaio sobre os medos e os fins” (2014), com Eduardo Viveiros de Castro, e de “A chuva desmancha todos os fatos: ensaios de filosofia” (2024).
Marina Hirota
Cientista multidisciplinar, com formação e pesquisas nas áreas de matemática, engenharia, meteorologia, ecologia e antropologia. Seus trabalhos atuais desenvolvem-se no campo das Ciências do Sistema Terrestre, buscando compreender os processos e interações que incidem nas mudanças em biomas e ecossistemas tropicais sul-americanos.
Sheroanawe Hakihiiwe
Artista e xamã Yanomami, residente da comunidade indígena de Pori Pori, localizada em Alto Orinoco, na Venezuela. Seus trabalhos amparam-se na memória oral, na cosmologia e nos saberes ancestrais de seu povo. Desenvolve, por meio do desenho, uma linguagem sintética, concreta e minimalista sobre a vasta e intensa relação de sua comunidade com a paisagem que a rodeia. Essas ligações permeiam o âmbito do pessoal e do coletivo, sendo seu trabalho uma revisão contemporânea da cosmogonia e do imaginário Yanomami.